segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sagrado Feminino



SAGRADO FEMININO: A VOLTA DA ESSÊNCIA QUE 'QUASE' NOS FOI TIRADA

Durante muito tempo, a menstruação foi reconhecida como parte natural da rotina e saúde da mulher.  As ervas curavam doenças físicas e emocionais, enquanto parteiras e doulas conduziam o parto de maneira natural. Com a chegada da tecnologia, da medicina e da indústria, vieram os anticoncepcionais, bombas hormonais que, além da possível causa de problemas de saúde, nos impedem de acompanhar nosso ciclo e reconhecer a essência feminina.

De geração em geração, a sociedade foi enraizando, por exemplo, a crença de que menstruar é algo ruim, doloroso e sujo. Tente se lembrar da primeira vez em que viu uma mulher se manifestando sobre a TPM. Elas falaram coisas boas em torno do assunto? Ou os sentimentos e reações foram negativos? Sem falar na falsa fama de que mulher tem instinto competitivo entre si.
“O formato social em que vivemos nos deu infinitas possibilidades de conquistas – da liberdade profissional à sexual-, mas nos afastou do que nos era natural. Antigamente fazíamos tudo  juntas: plantar, colher, cozinhar, cuidar dos filhos. Ao nos afastarmos e nos isolarmos perdemos a dose maravilhosa de ocitocina, hormônio do amor que produzimos no trabalho de parto e quando estamos entre mulheres”, explica a curitibana Anna Sazanoff, terapeuta aiurvédica.

Graças a tais avanços tecnológicos, científicos e comportamentais, ficamos prontas – ainda bem! – para competir, racionalizar e encarar qualquer desafio. O efeito colateral dessa conquista é o distanciamento da nossa essência. É o que apontam as pesquisadoras e entusiastas do Sagrado Feminino, movimento que resgata a sabedoria e a consciência ancestral. Não à toa, saberes antigos, como o uso das ervas, dos rituais de beleza e da medicina antiga natural, além da prática de se reunir em círculos, começam a ganhar holofotes novamente.

MAS O QUE É O SAGRADO FEMININO?

“É o que é mais puro e natural na essência feminina. É a sabedoria que brota do útero, da conexão com os ciclos naturais e da lua. É a sabedoria da medicina das plantas. É olhar pra dentro e descobrir tudo o que faz nosso coração vibrar anteriormente a qualquer convenção ou padrões ditados. É a amorosidade, sororidade, colaboratividade, respeito à mãe terra aos nossos ciclos e nosso corpo”, define Anna Sazanoff.
E o conceito não exclui o universo masculino. “Despertar o sagrado feminino é acordar o senso de colaboratividade em si. A proposta deve ser de reencontro, reconhecimento e reconexão individual pois o reflexo no coletivo acaba sendo inevitável”, completa a palestrante, escritora e facilitadora de encontros, Kareemi Prem.


“As mulheres precisaram se masculinizar para conquistar espaço, sobretudo profissional. Elas conseguiram, mas com dupla jornada: em casa e na profissão. Resultado: têm pouco ou nenhum tempo para si próprias”, afirma a terapeuta holística e facilitadora de círculo, Bebel Clark, do Rio de Janeiro.
Em geral, segundo as terapeutas, a falta de conexão com a essência feminina e com a natureza apresenta algumas características, como insônia, enxaqueca, dores no corpo e, sobretudo, sensação de vazio.
 “Um exemplo é a mulher que acorda com agenda preparada,  não encontra tempo para respirar ou refletir sobre o que está sentindo durante o dia. Toma o café da manhã sem parar para degustar e não se permite sentir. Como um trator que elimina pendências dia a dia, age automaticamente, controla e é rígida com os outros e consigo mesma. Para preencher esse vazio, se vale do consumo, seja por roupas ou até comida”, completa. “Excesso de racionalidade, intolerância e dificuldade de ouvir a intuição não são características femininas. Não é ruim ser racional. O desequilíbrio vem do excesso”, alerta Bebel.

O RETORNO

Essa sensação de vazio, no entanto, é justamente o que tem gerado a atual necessidade de reconexão. “É a chamada ‘virada da mesa da luz’, que acontece quando experimentamos muitas formas de tecnologia, avanço de ciência e medicina, infinitas opções de consumo e distrações, e, ainda assim, sentimos um grande vazio. Nos damos conta que o caminho é bem mais simples e que tudo o que precisamos está e esteve sempre presente, acessível e abundante”, explica Anna Sazanoff.
“Como num processo natural, o despertar está acontecendo e estamos relembrando o que é simples e belo. E esse processo ocorre no mundo todo” – Anna Sazanoff
Para a paulistana Bia Fioretti, idealizadora do projeto Mães da Pátria, o processo de redescobrimento, independente de qualquer movimento coletivo, é individual. “Cada mulher vai descobrindo seus limites à medida que amadurece.” Depois de entrevistar centenas parteiras brasileiras que se dedicam ao nascimento por meio de saberes tradicionais, ela concluiu que o Sagrado Feminino, na verdade, nunca se perdeu.
“Se fala mais agora por causa das mídias sociais. Mas a mulher sagrada e sábia nunca desapareceu. Olhe dentro da sua família e identifique qual mulher você conhece que é agregadora, tem autoridade, confiabilidade e sem impôr autoritarismo. São inúmeras, porém, muitas vezes não a reconhecemos como tal”, reflete Bia Fioretti.
O QUE É QUE A ESSÊNCIA TEM?

Se você entrou no fluxo dos padrões racionais impostos, deve estar se perguntando: qual a necessidade de uma reconexão com essência feminina a essa altura da vida moderna?
“As mulheres ficam mais criativas, intuitivas, alegres, bonitas! São melhores pessoas, porque são melhores mulheres para si. Ela sabe que a vida com percalços é leve, que nada acontece por acaso e está sempre atenta às  sincronicidades. Valorizam a simplicidade, são elas mesmas e desfrutam disso” – Bebel Clark.
MENOS COMPETITIVIDADE, MAIS CO-CRIAÇÃO


A mesma modernidade que criou formas de afastar e gerar competitividade também é usada como recurso de empoderamento. Foi na internet que nasceram projetos importantes que debatem e disseminam o tema. O Matricaria – Guia Virtual de ecologia feminina, por exemplo, reverencia a ginecologia ecológica e natural, e idealizou o Manual das Ervas para o Ciclo Feminino. O documento, em PDF, reúne receitas e dicas para sintomas dos ciclos naturais. Já a Rede Colmeia, é uma iniciativa de economia solidária que propõe reunir mulheres empreendedoras de todo o País. No Facebook, grupos como o Conversa entre Flores , cumprem o papel de reunir mulheres de diferentes lugares, mas com a mesma busca pessoal.
“Mas é importante ressaltar que esse despertar não está ligado ao estereótipo da mulher com saias e flores no cabelo. É uma jornada interna, de dentro para fora” – Morena Cardoso, escritora, pesquisadora, terapeuta corporal  e holística

 NA PRÁTICA: RESGATE A SUA ESSÊNCIA

Hábitos do dia a dia que despertam a feminilidade e a colaboratividade.


REÚNA-SE | Os chamados “Círculos de Mulheres”  ressurgem como fruto do interesse pelo movimento. São refúgios entre irmãs. Em, São Paulo acontecem encontros quinzenais no centro eco-cultural Casa Jaya, na Vila Madalena. No mesmo bairro, há rodas no New Way. O Quintal das Flores, em Perdizes, e no Sarastati Yoga e Espaço Vajra, ambos na Vila Mariana,  promovem práticas similares. 
No Rio de Janeiro, os encontros promovidos pela terapeuta Bebel Clark são súper requisitados, assim como os círculos da  Naya Terapias, em Curitiba.  Alguns funcionam como rodas de conversas, outros de dança. Algumas vezes, práticas de yoga e confecção de mandalas terapêuticas dão o tom. Em comum, zero competitividade, nenhuma energia gasta com disputa com o gênero oposto.
“Entendam: juntas e reunidas conseguiremos isso mais rápido” – Kareemi Prem.

PERMITA-SE | Tente compreender do que seu corpo, mente e espírito, necessitam. Eles podem pedir por meio de uma angústia, de uma necessidade de liberdade, de alguma manifestação física…Pode ser um banho demorado, um dia com as amigas, ou um momento de silêncio. Faça retiros, viaje sozinha e aprecie a própria companhia.

EQUILIBRE OS HORMÔNIOS | “A primeira atitude para acordar a a essência feminina é se livrar dos hormônios e toda a química das pílulas anticoncepcionais. Tais remédios nos  desconectam completamente do nosso ciclo natural e do nosso feminino sagrado. Com eles não vivemos as 4 fases que passamos a cada ciclo de 28 dias e que nos harmonizam com toda essa sabedoria ancestral. Digo que hoje em dia as pilulas funcionam como a inquisição na idade média”, afirma a terapeuta Anna Sazanoff.

RE-SIGNIFIQUE OS CICLOS| Como? Aceitando a menstruação com o um processo natural do organismo. As últimas gerações cresceram acreditando que menstruar é algo sujo e doloroso. Experimente abolir a palavra TPM do vocabulário. A fase é de introspecção e sensibilidade, sim. Não precisa ir contra a corrente, pelo contrário: se possível, recolha-se, abra-se com uma amiga, beba chás. Alguns hábitos pedem urgência: troque o absorvente sintético (fruto de alergias e plásticos poluentes para o meio ambiente) por alternativas sustentáveis e que não influenciam o organismo, como o coletor menstrual ou os bioabsorventes (de pano).


PLANTE SUA LUA | “Nas tradições matriarcais originárias, as mulheres ofereciam ritualmente seu sangue menstrual para a Terra. Hoje em dia perdemos de muitas maneiras o nosso relacionamento instintivo com Pachamama e em conseqüência disto, estamos cheias de inseguranças, arraigadas em padrões de medo, ansiedade e escassez”, explica a terapeuta Morena Cardoso.
“Para coletar seu sangue utilizando bioabsorventes, é necessário deixá-los de molho por algumas horas na água, sem nenhum produto químico. É esta água com o sangue que você irá utilizar para entregar à terra (depois de coletado o seu sangue você poderá lavar o absorvente da forma como preferir, e reutilizá-lo). Em ambos os casos, você pode entregar seu sangue para terra em um jardim ou em um simples vasinho de planta em seu apartamento. Você pode também escolher alguma planta específica que tenha um significado especial.”, ensina Morena.

ADOTE TERAPIAS ALTERNATIVAS | Encontre uma prática integrativa que desperte o melhor de você. . “Além do contato com a natureza, as terapias naturais nos trazem toda a força da natureza. Algumas ásanas da prática da yoga, danças, chás e massagens contribuem para o resgate dessa essência”, indica Anna Sazanoff.

OBSERVE SEUS CICLOS | Crie o hábito de se auto-observar no dia a dia. A Morena Cardoso criou um formato prático da Mandala da Lua, uma ferramenta que nos ajuda a identificar padrões mês a mês. “Somos mulheres cíclicas e, entender cada fase, nos ajuda a aceitar e honrar esta condição”, diz.

GERÂNIO, SEU MELHOR AMIGO | “O óleo de gerânio é o óleo essencial da mulher”, afirma a aromaterapeuta Beatriz Yoshimura, especialista da Aromalife e da Aromaflora, em São Paulo. Em termos de medicina chinesa, este é um óleo que tonifica o Yin, indicado para ansiedade crônica, infertilidade e sintomas da menopausa.
“O gerânio regula os hormônios femininos naturalmente e por isto é tão indicado para TPM e problemas na menopausa. Além de equilibrador, ele é antidepressivo e sedativo, sendo ótimo para amenizar casos de irritabilidade e alterações de humor”, completa a especialista. Para usá-lo no dia a dia, experimente diluí-lo em óleo vegetais corporais, em aromatizadores e ambiente e pessoais, além de incluí-lo em cosméticos naturais.


"Honradas sejam…
todas as que vieram antes de nós
e deixaram seus rastros
que hoje buscamos seguir…
Honradas sejam

Viraram estrelas nos céus
Para seguirmos seus rastros na terra…
Honradas sejam…"
Carmem K’hardana


Marcela Rodrigues

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Celebração da Mãe Negra


Dia 12 de outubro - Celebração da Mãe Negra do Brasil

"A cor negra se deve à Cultos muito antigos, talvez até mesmo pré-históricos, relacionados com a terra, ao Útero, Mãe Terra, Deusa Mãe, que também era conhecida no paganismo como a Deusa de fertilidade, fecundidade, tais como os cultos célticos e mesmo os cultos anteriores, muito mais antigos, como os Cultos de Cibele, Deméter e da Deusa egípcia Ísis, esta última é, muitas vezes, representada em estátuas com um bebê, Hórus, em braços, afirmando categoricamente que as Virgens Negras são símbolos do Matriarcado.
As Virgens Negras
As Virgens Negras são registros valiosos de uma época em que a Terra era reverenciada como Mãe e todas as criaturas eram Seus filhos. Diferentes das Virgens Brancas - que personificam dogmas e virtudes cristãos de obediência e resignação-, as Negras têm em comum as qualidades telúricas e sua localização em sítios arqueológicos que comprovaram a existência de deusas pré-cristãs.Tradições religiosas antigas – como a gnóstica, hebraica e cristã –contém elementos da mitologia e iconografia das deusas asiáticas, sumérias, egípcias e européias, guardando a sua associação com luz e sabedoria, mas desprovidas da unidade primordial entre céu e Terra. Inúmeras das imagens e estátuas destas deusas são negras, cor que evoca o mistério impenetrável da Fonte Criadora. Ísis e Shekina são cobertas por mantos ou véus pretos, Cibele era venerada como um bloco de pedra preta, Deméter e Athena tinham versões escuras e a belíssima e tocante estátua de Ártemis de Éfeso, a Mãe dos mil seios, era negra.
Nos primórdios do cristianismo o princípio feminino era representado por Virgens Negras e Brancas e por uma multidão de santas, todas brancas, com exceção de Sara, a Egípcia, padroeira dos ciganos. À medida da expansão e do fortalecimento da religião cristã, as estátuas de mármore e bronze das deusas pré-cristãs foram destruídas, seu culto perseguido e proibido. Porém, em lugares remotos dos países cristianizados, fieis dos antigos cultos preservaram seus ídolos domésticos e pequenas estátuas, escondendo-os nas grutas e fendas da terra, em criptas dos templos antigos, perto de fontes e rios e no oco das árvores. Alguns foram encontrados na proximidade dos centros religiosos dos cátaros e templários e nos lugares onde foi preservado o culto da Mãe Divina e de Maria Madalena. Em todos estes locais “apareceram” posteriormente e de maneira milagrosa imagens das Virgens Negras, encontradas por pessoas humildes, animais ou crianças. Muitas delas foram perdidas ou destruídas por fanáticos e guerras, enquanto sua verdadeira origem e significado estavam sendo esquecidas. No entanto, sua lembrança influenciou gerações posteriores de escultores e artistas religiosos que reproduziram suas imagens, surgindo assim representações mais recentes, com características e trajes cristãos, mas preservando a cor negra. No século VII e VIII chegaram na Europa estátuas originais das deusas antigas trazidas do Oriente Médio pelos Cruzados. Na Idade Média os altares dedicados à Virgem Negra na Europa eram os mais procurados e venerados. Os antigos locais sagrados e templos das deusas pré-cristãs foram adaptados à nova religião e dedicados à Maria, para quem foram “transferidos” atributos e poderes da Deusa, pois não tinha sido possível extinguir da alma popular a veneração milenar de uma Mãe Divina. A partir do século X o culto das Mães negras se intensificou de tal forma que ultrapassou o do Pai e Seu Filho. Reis, guerreiros, camponeses, mulheres, doentes e peregrinos se ajoelhavam juntos perante as imagens das Virgens milagrosas nas inúmeras igrejas e grutas a Elas dedicadas nos países europeus, orando, fazendo seus pedidos e deixando votos e contribuições. Milagres e aparições aconteciam com freqüência, principalmente curas de mulheres, enfermos e crianças. A Virgem Negra tornou-se motivo predominante na literatura mística e alquímica dos séculos XII e XIII e o impulso para a construção de inúmeras catedrais, igrejas e permanentes romarias.
As tentativas da igreja cristã para explicar a cor negra das estátuas eram equivocadas e sem fundamento, alegando escurecimento pela fumaça das velas ou reações químicas dos pigmentos das tintas. Era necessário ocultar e distorcer o verdadeiro significado da cor preta, atributo milenar da terra, do inconsciente, da fase escura da Lua, do poder misterioso e sagrado da mulher, da sabedoria ancestral que aceitava a morte seguida pelo renascimento, assim com o dia segue à noite. O culto da Virgem Negra representava a perpetuação do princípio feminino em uma cultura e religião patriarcal e misógina e por isso devia ser abolido ou desacreditado. Apesar da oposição dos teólogos cristãos, da perseguição pela Inquisição, da destruição de inúmeras imagens pelos protestantes, revoluções, guerras e reformas políticas, do “disfarce” tingindo as estátuas de branco, o fenômeno complexo e multifacetado das Virgens Negras persistiu ao longo dos séculos. As fogueiras da Inquisição foram seguidas pela frieza da Era da Razão e do materialismo científico, que antagonizava tudo o que era relacionado ao princípio feminino. Porém, no século XIX e XX aparições marianas reanimaram o culto da Virgem Negra e a necessidade de conciliar religião e sexualidade trouxe de novo os valores telúricos e femininos à consciência coletiva. Algumas das Virgens Negras se tornaram símbolos religiosos e mesmo padroeiras nacionais, como a Virgem de Guadalupe, a Madona Negra de Czestochova (Polônia) e a nossa Senhora de Aparecida. Atualmente intensificou-se o movimento internacional ao redor de imagens de Madonas e Deusas Negras na esperança de criar uma ponte de ligação entre grupos étnicos, movimentos ecológicos e feministas, teologia da libertação e teorias filosóficas e políticas.No aeroporto de San Francisco, Califórnia, existe uma escultura de Beniamo Bufano reproduzindo uma Madona Negra com seios nus, semelhante à deusa Astarte, enquanto outra na Califórnia evoca Ísis. Em 1991 na Polônia houve um “encontro” de Madonas Negras, que reuniu em exposição a hindu Kali com a Virgem de Guadalupe e a Madona de Czestochova. A intensa e extensa veneração da Madona Negra na Itália tem um equivalente no Brasil no culto das deusas afro-brasileiras e nas oferendas anuais nas praias para Iemanjá, a Negra Mãe das águas, enquanto na França, em Saintes Marie dela Mer procissões, missas e oferendas no mar reverenciam a negra Sara Kali.
Apesar da diversidade de aparências, origens e antiguidade, as Virgens Negras evocam as memórias ancestrais do culto da Grande Mãe, fonte de vida e regente de todas as suas fases, do nascimento à morte e regeneração. Elas são a continuação - sob uma nova denominação e na nova religião - da reverência ancestral ao sagrado poder feminino. Autênticas ou réplicas modernas das antigas estátuas, as Virgens Negras evocam a sua origem ctônica, aquática e vegetal e as memórias ancestrais da Mãe Terra, pois a sua antiguidade supera a das religiões e civilizações. Elas têm um intenso poder de cura e transformação, pois as Virgens Negras possuem o antigo axé das deusas telúricas, Senhoras da vida, morte e regeneração. A sua aparição nos sonhos, visões e terapias das mulheres contemporâneas representa uma mensagem do feminino sagrado e transcendente, um incentivo para transpormos as pontes que nos afastam e separam e o aviso urgente e premente de reconhecermos o poder sagrado da Terra e da mulher, da diversidade de todas as formas de vida e da necessária inclusão em uma harmoniosa e abrangente parceria. Nossa sobrevivência como Filhos da Terra depende da nossa capacidade de resgatar, honrar e cuidar da Sua luz, que brilha oculta na escuridão da nossa inércia, indiferença, esquecimento ou ganância."
Mirela Faur

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lua Minguante


Entrada de Lua Minguante 12 outubro 2017 às 09:27:15

A Lua Minguante é a característica da DEUSA ANCIÃ, ou seja, aquela que possui a sabedoria adquirida durante a vivência, mas já não desfruta do vigor da juventude, nem da sensualidade da fase adulta. Como seu próprio nome sugere ela está minguando, dissolvendo-se no ciclo eterno de NASCIMENTO, VIDA, MORTE e RENASCIMENTO a que todo o universo e criaturas estão sujeitos...Porém essa fase não é sinônimo de fraqueza ou má-sorte, como muitas crendices sugerem, mas sim é um belo momento de esplendor onde a Deusa alcança o auge de sua sabedoria baseada em sua vivência, acertos e erros, um bom momento para pesarmos nossa trajetória e excluirmos da mesma tudo o que foi inútil e improdutivo, livrarmos-nos dos excessos, dos vícios e prepará-los para enterrá-los no solo fértil e negro da próxima fase Lunar...a LUA NOVA ou LUA NEGRA, transformando assim o "lixo" em "adubo" pronto para ser semeado como novos projetos na LUA NOVA!

Nos três primeiros dias da Lua minguante é bom: fazer rituais de banimento, desmanchar trabalhos e feitiços, livrar-se de algo, fazer jejum, fazer ritual de purificação, tomar banho de ervas e sal grosso, limpara a casa e arrumar tudo, limpar cristais e artefatos mágicos.

Purificação e Banimento com o Sal Negro

-1 kg de sal de cozinha refinado
- Carvão de churrasco
- Arruda
- Bacia de cozinha
- Uma vela na cor preta

Na noite de lua minguante escolha um local a céu aberto, ou janela, e disponha os itens que utilizará. Abra a janela, acenda a vela e permita que os raios prateados da lua possam entrar pela fresta. Mesmo se a lua estiver escondida nas nuvens ou atrás de uma construção, seus raios continuarão seguindo os seus comandos.
Na bacia jogue o sal refinado. Pegue dois pedaços de carvão e raspe um no outro até que ele vire pó. Você precisará de bastante pó de carvão. Enquanto raspa os carvões mentalize tudo aquilo que deseja banir da sua vida. Preste bastante atenção nos seus pensamentos. É fundamental manter o foco. Misture o sal branco ao carvão com as mãos. Enquanto mexe nessa mistura pense e reforce os seus desejos de banimento e limpeza.
Adicione as folhas de arruda e continue misturando. Ande pela casa e, com os dedos, jogue um pouco do sal negro em cada canto de cada cômodo. Visualize todas as energias negativas indo embora, tudo sendo banido da sua casa e de você.
Para uma limpeza energética mais profunda, faça uma mesa radiônica agora.
A Mesa Metatrônica realiza a limpeza dos corpos sutis e a liberação do carma, limpeza energética de ambientes proporcionando abertura de caminhos.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Nem boa, nem má, a Bruxa é o que precisa ser!


A Bruxa não é boa nem má, é humana!

Ela foi temida, odiada, perseguida; sofreu todo tipo de torturas, conheceu o escárnio, o medo e a intolerância; inúmeras vezes passou pela morte na forca, queimou na fogueira, e amargou o afogamento. Ainda assim, com toda sua divina rebeldia, continua a dançar nua diante da fogueira evocando os deuses d'outrora, a alegria no hoje e a liberdade de sempre.

A bruxa é, acima de tudo, a encarnação da resistência!
Para além de toda campanha difamatória ao longo dos séculos, da desconfiguração inocente ou premeditada, da ofensiva dos púlpitos eclesiásticos, a figura da bruxa permanece como legítimo ícone da mulher que não se sujeita e não se conforma.
A bruxa, em sua mais elevada essência, é a sacerdotisa da natureza. Como receptáculo, canal e ministra da Grande Mãe, ela celebra o Divino Feminino, conserva a tradição, espalha o prazer, refina a intuição e sintetiza a vida.
Sim, ela é benzedeira, vidente, necromante, adivinha, maga, feiticeira, mandingueira, curandeira, macumbeira e estriga! Ela é Wicca, Muçulmana, Budista, Cristã, Judia, Africana, Indígena, Eclética! Mas é também sedutora, carismática, fascinante, misteriosa, filha, avó, esposa, irmã, mãe e mulher.
A bruxa não é boa nem má, é humana!

Por vocação, a bruxa é aquela que mergulha nas sombras de si, corre solta na escura floresta de seus próprios deamons e voa velozmente sob o pleno luar da imaginação.

Por natureza, é ela quem se contrapõe ao frio patriarcado, equilibra a difícil balança entre o institucional e o natural, entre o rígido e o fluido, entre o sol e a lua.

Por destino, é a bruxa quem preserva o Sagrado Feminino em todo seu mistério, em toda sua mística, em toda sua Magia.

Caciano Camilo Compostela

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

PRIMAVERA, UM CONVITE AO FLORESCER



Início da Primavera 22 de setembro 2017 às 17h02

"Estação nos faz acreditar que novas experiências são possíveis..."


Prestando atenção à natureza veremos como vivemos num manancial de riquezas, cheio de sentido e significado. Observar e sentir a natureza é voltar ao seio de nossa existência, é nos reintegrarmos, pois somos parte dela também. Há algum tempo, escrevi um artigo sobre o outono e busquei demonstrar como cada estação do ano nos convida a diferentes posturas e nos oferece ricos aprendizados. Com a chegada da primavera, trago um novo convite de reflexão.

Assim como o outono, a primavera é uma estação de transição. Ela representa o tempo da despedida das frias paisagens e do preparo para entrar no tons quentes do verão. As flores são a marca principal da primavera. A natureza desabrocha e se enfeita para nos mostrar que um novo ciclo se inaugura.



"A natureza desabrocha e se enfeita para nos mostrar que um novo ciclo se inaugura."
Vai embora o gelo, o cinza, o tempo de recolhimento e a natureza se revela multicolorida. É o tempo de acasalamento, reprodução, fertilidade, beleza e abertura. A natureza resistiu aos tempos secos e frios, resistiu à letargia e à hibernação, mostrando que a vida permaneceu latente e agora se refaz.
Em nossas experiências podemos passar por momentos hibernais, em que tudo ao nosso redor está frio e aparentemente sem vida. Seja por situações de perdas, decepções ou pelo simples desaquecimento da roda da vida, momentos de pausa que chegam e se instalam. Nesses períodos algo de muito belo pode acontecer, se optamos por resguardar nossos dons preciosos, sem perdermos as esperanças. Vamos concentrando nossa energia, até que um dia uma nova brisa pode soprar e anunciar que o gelo vai derreter e a grama verde que havia por baixo dele irá se revelar.
ABRA ESPAÇO PARA QUE O NOVO BROTE
A nova estação chega assim, com promessa de inteireza, de luz, de brilho, de aromas renovados, de cantos de pássaros namorando no alto das árvores, de vento levando pólen para fertilizar os campos, de borboletas voando ligeiras com tantas flores para pousar. No tempo da alma, a primavera se assemelha ao momento de lançar nossas ideias, de deixar o ar de novos tempos ventilar nossas mentes e corações, de abrir espaço para que o novo brote. Abrir as janelas da alma, para que o aroma embolorado do inverno se dissipe e o perfume das flores faça morada em nós. É a temporada de nos abrirmos, de acreditarmos em novas possibilidades, de nos encantarmos com a beleza dos pequenos detalhes que passaram batidos nos dias cinzas.
Mas para viver a intensidade dessa temporada é necessário exercitar a entrega. É preciso deixar ir o inverno, acreditar que outras experiências são possíveis. Acontece que muita gente ao passar por invernos rigorosos da alma, se esconde por longos períodos em suas tocas, acreditando que não pode mais sair ou, caso contrário, será consumidos por uma nevasca. Se aguçarmos nossos sentidos, no entanto, podemos ouvir o canto dos pássaros lá fora e ver que raios tímidos de sol entram pelas frestas. É preciso entrega, é preciso acreditar, é preciso lançar nossos pólens no ar. Pense e se responda: O que está impedindo que você viva a estação da primavera da alma?
A primavera convida: abra-se, permita-se, aproveite as oportunidades dessa brisa nova, relacione-se, sinta a beleza que há lá fora, deixe seu perfume único exalar de dentro para fora, não tema as abelhas, deixe que elas a toquem levemente e polinizem a vida!
Pense naqueles projetos guardados, nas habilidades contidas e deixe que tudo isso desabroche.
"Pense naqueles projetos guardados, nas habilidades contidas e deixe que tudo isso desabroche. "
Lembra-se daqueles hábitos ranzinzas? Vá se despedindo deles, à medida que lança atenção para outros aspectos da vida ou lança um olhar diferente para os mesmos aspectos. A primavera te convida a renovar, abrir, sentir, florir!
Se vai demorar muito ou pouco tempo para você vivenciar a plenitude dessa estação, ninguém tem a resposta pronta. Mas o jardineiro com certeza está dentro de você, à espera que o deixe agir para enfeitar o jardim, trazendo a nova vida para seu redor.
Por: Juliana Garcia

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Luz e Sombra

Os Caminhos


O Caminho da Luz é o Caminho dos humanos e o Caminho das Sombras é Caminho dos Deuses.
O Caminho da Luz é limitado no tempo e no espaço, no entanto O Caminho das Sombras é eterno e infinito como a própria Vida.
O Caminho da Luz é auto-criado, no entanto O Caminho das Sombras existe desde sempre por sempre, Âmen.
O Caminho da Luz está em permanente evolução, mas o Caminho das Sombras não precisa evoluir pois é perfeito em si mesmo, já que o Ser que o trilha é plenamente livre em todos os planos da Criação.
O Deuses vivem no interior dos humanos ocultando-se da Luz, pois ela é a prisão e o castigo de todos os tempos.
Tempos que não precisariam existir se não fosse pelos luminosos raios que insistem em dominar as Sombras.
Dominar, subjugar, destruir; a Luz é mente e o que a mente não entende o destrói, e o faz antes que enfrentar seu temor ao desconhecido, temor ao que não se pode Nomear, ao Incognoscível: o Criador que habita nas Sombras de cada Ser que povoa este planeta.
Mais além de tudo isto encontra-se a Verdade -Una e indestrutível- que de longe observa os seres e a Luz, suas Luzes e as Sombras.
Mais além de tudo isto encontra-se a mentira, que esconde a Verdade em si mesma em uma vã tentativa por dominá-la.
Mas que seria dos humanos sem a Verdade e a mentira?
Que seria dos Seres sem a Aurora que apresenta-se todos os dias anunciando uma nova etapa de tempo para o eterno recomeço e morte, de Vida e separação, de noite e de dia?
Que seria deles se somente existissem as Sombras? Como interpretariam um mundo sem Luz?
Por isso, a Luz, a mente, ainda é necessária, mas chegará o momento no qual as Sombras reinarão absolutas novamente sobre os cadáveres dos maus pensamentos que logicamente espalham-se sem que nada os possa conter.
Não devemos confundir Luz e Sombras com o bem e o mal; a Luz é a mente, o externo, e as Sombras são o interno, a conexão total e irrestrita com o Universo Infinito; é o Ser totalmente alinhado, identificado e permeado pelo Um, pelo Todo, por tudo e por todos.
Mas faltava, faltava a expressão do Amor, e assim surgiu a Luz, a expensas da pureza, tornando-se as Asas do Amor.
O vôo da Luz encheu de tempos, espaços e esquecimentos o Universo, e os Seres aferraram-se a ela esquecendo o motivo real de sua existência.
Esse é o drama que se desenvolve hoje entre os seres humanos: o esquecimento; esquecimento que tornou-se des-Amor, fora do Amor, fora da realidade real, passando a habitar entre a ilusão de que tudo é Luz, e que somente a Luz é boa pois nela habita o Amor.
Que enganados estão! Que ilusão tão grande!
E assim vão os seres, procurando o Amor na Luz, procurando entendé-lo através dela.
Mas assim como nunca entenderemos um pássaro através de suas asas, da mesma forma, jamais entenderemos o Amor através da Luz, através da mente, através dos pensamentos.
O Amor surge, ainda que não se entenda como nem porque; assim foi, assim é e assim sempre será.
Somente podem entender e perceber, viver e desfrutar o Amor nas Sombras, por ela, nela e através delas, pois elas são Amor puro, sendo que a única forma de viver a experiencia que o Amor proporciona é através de suas verdadeiras asas: a Paixão!
Paixão por tudo, pelo Todo, por todos, pela Vida!

Debora Rocco

Dança Cósmica


No Fio da Navalha

Meditar é encontrar a conexão entre as coisas, entre elas e os Seres, entre os Seres e o Todo; é conhecer a essência intrínseca de tudo, de todos e do Todo; é compreender a relação existente entre todas essas partes, é submergir-se na Unidade.
É descobrir o porque do lugar de cada coisa e colocar cada coisa em seu lugar; é dar-lhe a tudo, a todos sua dimensão exata no Todo.
Porém, encontrar essa conexão, implica num ir cada vez mais á uma consciência maior, é estar plenamente despertas, mesmo quando entramos no estado chamado sono.
O mais próximo que se conhece a essa consciência maior, é a meditação, na qual nos submergimos por momentos mais ou menos extensos, sem perder a percepção de nosso corpo, chegando a uma abstração temporal do entorno; no entanto, quanto maior se torna esta consciência, este conhecimento, mais próximos estamos do Todo, de todos.

E cada vez as conexões tonam-se mais claras, chegando ao ponto em que estamos em permanente meditação, em permanente conexão, sem necessidade da abstração.
Enquanto dormimos nos abstraímos não somente de nosso entorno, como também de nosso corpo; porém quando a consciência alcança determinado grau de conexão, passamos a não dormir, pois a conexão é tão forte a todos os níveis de nosso Ser, que não dormimos, simplesmente nos abstraímos do mundo, numa meditação mais profunda, sem perder a consciência, a conexão com ele.
Isso faz que ao acordar tenhamos uma sensação estranha de cansaço mental, como se não tivéssemos dormido, -e na realidade não o fizemos- pois não conseguimos desconectar-nos totalmente como antes, da consciência expandida.

É um estado de difícil adaptabilidade, pois ao principio, nossa parte física não está habituada, o que pode provocar leves dores de cabeça e uma espécie de sonolência constante; sendo que ao mesmo tempo é como se estivéssemos padecendo de insonia; se nos dispomos a dormir, nossa consciência segue tão lúcida como se tivéssemos dormido varias horas.
Inesperadamente em meio a tudo isto, nos assalta o temor á loucura, a loucura de ver tudo com tanta clareza, e o medo de perder-nos dentro dessa claridade, que nos atrai cada vez mais, claridade da qual precisamos como o ar que respiramos, e sem a qual nada faz sentido.
E assim, descobrimos que o sentido de tudo é tão simples, que basta pensar em algo e as conexões sucedem-se de forma espontânea, iluminando os fatos com a Luz dessa clareza que é a consciência maior, a consciência expandida.

Essa linha pode levar-nos á beira da loucura, se não mantemos um pé na pequena consciência, na consciência ordinária, que é o conhecimento das coisas ordinárias, da ordem do dia a dia; pois do contrario podemos sucumbir sob o peso da consciência extraordinária, a consciência fora do comum, fora da ordem estabelecida, a consciência do significado das coisas e dos fatos por trás dessas coisas e desses fatos, o significado dos Seres por trás dos Seres.
É como caminhar no fio da navalha, se nos descuidamos, podemos cair numa das duas consciências, e para quem conhece esse caminho, qualquer dessas duas consciências, separada uma da outra representa um perigo mortal; pois caindo na consciência ordinária nos perderíamos do Todo, e isso significaria involuir, -o que nos é insuportável- e fatalmente nos levaria ao desespero, á imobilidade e consequentemente á perda do desejo de viver.
Caindo na consciência extraordinária nos perderíamos num mundo paralelo, real e verdadeiro, porém separado de nosso entorno, de nós mesmos, e por isso, como entes físicos, nos tornaríamos insanos.
O equilíbrio entre uma consciência e a outra, fere nossos pés, pois esse equilíbrio encontra-se num caminho tão fino, tão sutil como o fio de uma navalha.

Neste caminhar podem ocorrer duas coisas se não conseguimos nos manter nele: ou ser cortados, divididos ao meio no sentido vertical, ou cair inteiros em uma das duas consciências; com a consequência própria de cada queda.
A única forma de não perder o equilíbrio, é ser tão leves como o Ar, que flutua, que toca, mas não se apóia, que tudo o trespassa, e é trespassado por tudo.
E somente a absoluta pureza de coração, conjuntamente com um resgate total da Alma, das memorias, do Karma, pode nos tornar Ar, pode manter-nos como Abel que nascemos, para não cairmos novamente na divisão, para que não sejamos vitimados pela morte, que é o conceito da separação.
Nesta consciência consciente, a Paz interior se faz presente, e tudo se torna uma fonte inesgotável de aprendizado, de prazer em seu mais alto grau, o prazer da conexão, o prazer da respiração da fragante essência que exalam os Seres e as coisas.

Esta consciência consciente é estar permanentemente desperto e acompanhado, é desintegrar o fantasma da solidão, é desterrá-lo de nossa existência para sempre, por sempre, Amém.
É não precisar dos outros, porque temos plena consciência de estar neles e de que eles estão em nós; não precisar no sentido de não desesperar-nos por ter o outro, porque somos nele e ele é em nós.
É poder dar-se, entregar-se totalmente sem restrições, com absoluta confiança, porque é como dar-nos, entregar-nos a nós mesmos, é saber que o outro não pode e não quer nos lastimar, nos fazer dano, ao igual que nós não nos faríamos; ao igual que não o faríamos a ele.
É Poder Ser e Estar, é a felicidade plena que bate a nossa porta, e nos convida a Viver numa comunhão de Almas, com todos, com o Todo.
É passar pelo outro e deixar que ele passe por mim, é trespassá-lo e trespassar-me ao mesmo tempo, é envolver-se infinitamente com o Ser, com a essência do outro, é uma dança Cósmica de inigualável beleza e comunhão; é a dança dos Seres que deslizam-se na Harmonia Universal, ao compasso da Sinfonia da Graça.

Debora Rocco

A Grande Mãe, O Princípio Do Eterno Feminino




A Grande Mãe representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda Criação. Na Sagrada Tradição, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem, a Mãe/Amante e a Anciã, sendo que esta última ficou mais relacionada à bruxa na imaginação popular. A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia feminina, o poder da menstruação.
A Grande Mãe é a face mais conhecida da Deusa e pela qual Ela é mais chamada desde o começo dos tempos. A Deusa como Mãe simboliza aquela que dá a vida, mas também pode tirá-la, assim como tudo na Natureza. Ela se preocupa com seus filhos, ela é fértil, sexual, justa, segura de si.

Podemos entrar em contato com a Divina Mãe sempre que tivermos que fazer qualquer tipo de escolha, pedir bênçãos e proteção, agradecer por algo conseguido, pedir conselhos sobre que caminho tomar, ou mesmo quando busca estar em paz.

Como as outras faces, a Mãe também foi representada em diversas culturas do mundo e teve muitos nomes, tais como Deméter, Isis, Freya.
A adoração a uma Deusa Mãe foi a primeira forma de religiosidade dos povos antigos, mesmo no período Paleolítico. Há muitas evidências arqueológicas cerâmicas e pinturas nas cavernas que mostram esta realidade.
Uma grande evidência desse culto antigo vem das numerosas estátuas de mulheres grávidas com seios, quadris, coxas e vulvas exagerados. Os arqueólogos chamam essas imagens de “Vênus”. Tais estátuas foram encontradas na Espanha, França, Alemanha, Áustria, Checoslováquia e Rússia e parecem ter pelo menos dez mil anos.

São objetos particularmente interessantes porque mostram que a fertilidade da mulher era vista como sagrada. Talvez por isso exista uma relação tão grande entre a mulher e a Terra como um todo, pois os antigos viam como a Energia Criadora, que dava à luz uma nova vida, era feminina.
No entanto, que isso jamais teve o intuito de afirmar que os povos antigos acreditavam única e exclusivamente numa Grande Mãe; afirmar isso seria ignorar toda a crença politeísta que guiou os dias de hoje. O Sagrado Feminino não significava UM Sagrado Feminino, mas a sua representação.
Os seguidores da Sagrada Tradição veem o Sagrado Feminino como “A Deusa dos Mil Nomes”, em função da variedade de cultos a deusas em toda a história das civilizações.

Isto não significa que exista, na verdade, uma só Deusa que tenha tantas faces, mas que todas essas faces sejam divindades distintas. A denominação única “Deusa” não nos leva a um monoteísmo; pelo contrário! Apenas usamos para denominar essa crença no Sagrado Feminino como um todo.
Podemos entrar em contato com a Divina Mãe sempre que tivermos que fazer qualquer tipo de escolha, pedir bênçãos e proteção, agradecer por algo conseguido, pedir conselhos sobre que caminho tomar, ou mesmo quando busca estar em paz.

Oração da Grande Mãe

"A sua Arte, Senhora, veio à luz.
Quem poderá escapar de seu poder?
Sua forma é um eterno mistério;
Sua presença paira
Sobre as terras quentes.
Os mares te obedecem,
As tempestades de acalmam.
A sua vontade detém o dilúvio.
E Eu, tua pequena criatura,
Faço a saudação:
Minha Grande Rainha,
Minha Grande Mãe!"

Fonte - Wicca sucesso e cultura.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Limpeza nos Dois Mundos



As Bruxas me ensinaram sobre os ciclos de energia, dizendo que eles mudam nos Sabaths e nos Esbaths.
Sendo assim para nos alinhar com eles e aproveitar o seu fluxo a nosso favor, precisamos aprender a usar esses ciclos.

Elas dizem que somos como a Lua:

– Na Minguante nos “recolhemos e aprendemos” em nosso interior, resgatando
conhecimentos e espalhando-os “aos 4 ventos”, os Ventos da Deusa, da Grande Mãe.
– Na Crescente “crescemos” em alguma ou em diversas áreas de nossa vida interna.
– Na Cheia chegamos ao “auge” e brilhamos interiormente, o que pode ou não ser percebido externamente.
– Na Nova nos “estabelecemos”, ou seja que nos reafirmamos em nosso próprio Poder.
– E por último, na Lua Negra “celebramos” a nossa riqueza interior.

Por tudo isto, devemos aprender a nos “alinhar” dessa forma com a Lua, não somente planejando as coisas, como também identificando os acontecimentos em cada fase, principalmente quando algo que desejamos não “anda”, não acontece, pois tal vez estejamos em uma Lua Minguante e não na Crescente ou na Cheia.
Mas o assunto que nos trás aqui é a limpeza de uma casa que precise ser liberada de energias negativas.

Você vai precisar:

– Duas partes iguais, uma de alecrim e outra de sal groso
– uma vela branca comum
– uma vela preta comum

A vela preta representa a Deusa Escura da bruxa que vai fazer a limpeza e a branca o ánimus dela, ou seja a parte masculina de seu Self, ou Homem Interior, a sua consciência terrestre.
Sendo assim, me perdoem os homens, mas esta limpeza só pode ser feita por uma mulher.
Preparar a mistura do sal com o alecrim em um pote de vidro ou cerâmica, não sendo de plástico, pode até ser em uma panela.
Se tiver a panela da bruxa use-a para isto, se for usar uma panela ou outra vasilha que usa na cozinha, estará perfeito, somente antes de usar passe a fumaça de um incenso do seu agrado por dentro e por fora dela.
Depois de terminar a limpeza com sal e alecrim lave-a normalmente, e use como sempre em sua cozinha.
Bom, tendo a mistura feita, acenda as velas no chão, com espaço suficiente entre elas para que você possa se mover e se sentar entre elas.
A preta fica na sua esquerda e a branca na direita; acenda-as e sente-se no chão entre elas, para se “tranquilizar” como dizem as Bruxas, ou seja para sintonizar-se com a sua Deusa Escura e com seu Homem Interior.

Para isso imagine ela ao lado da vela preta e ele ao lado da vela branca; não se apresse, mantenha a imagem uns instantes.
Feito isto, imagine o círculo zodiacal em cores, signo por signo, começando em Áries e continuando pela ordem. Quando o fizer imagine que esse círculo colorido cresce e envolve toda a casa.
Eu desenhei o circulo com Luas porque foi mais fácil de fazer, mas imagine uma linha de cada cor, com isso é suficiente.
Ao terminar levante-se pegue o pote com a mistura de sal e alecrim e faça um circulo com ela por fora das velas.
Depois saia do circulo passando por cima dele, e deixe as velas queimar até o final; quando isso acontecer junte todos os restos, de velas e a mistura com que fez o circulo, usando uma vassoura e uma pasinha qualquer, e jogue tudo no lixo.

Esta limpeza além de limpar protege a casa e seus moradores; ela deve ser feita em todos os Sabaths e sempre no Esbath de Lua Crescente.

Quando estivermos alinhados com o fluxo da energia da Lua e com o ciclo das colheitas (Sabaths), estaremos limpos e protegidos, e as coisas vão fluir com maior facilidade em nossas vidas.

Debora Rocco

Tendas Lunares



Na época do Matriarcado as Anciãs das tribos ensinavam nos chamados “Conselhos de Mulheres” e nas “Tendas Lunares”, as tradições que suas antepassadas lhes haviam legado.

As Tendas Lunares também foram conhecidas pelo nome de “Tenda Vermelha” ou “A Lunna Rubra”
Nestas “Tendas da Lua” realizavam-se ritos cerimoniais e de iniciação nos quais as mulheres uniam-se através de seus ciclos naturais, celebrando os ritos de passagem sem dor e sem culpa e com a plena aceitação de seu Ser-Mulher em todas as idades.

Nestas reuniões cheias de mistério e envolvidas por uma grande energia mágica, bênçãos eram transmitidas de umas mulheres para as outras, assim como também o conhecimento milenarmente guardado no que elas chamavam de “Mistérios do Sangue”.

Nas Tendas Lunares se aprendia e se ensinava sobre as ervas sagradas, a interpretação dos sonhos, e como através do amor umas deviam cuidar das outras; iniciavam-se juntas nos mistérios da Grande Mãe, para que assim ao conectar-se com a energia do “Grande Útero Dela” pudessem evoluir, não somente para si mesmas como para sua família e comunidades as quais pertenciam.

Dentro da sabedoria do Sagrado Feminino daquela época também podemos encontra a “Tenda do Suor” ou a Inipi, um lugar onde suavizar os desconfortos da menstruação, onde tratar problemas de infertilidade, a gravidez o parto e até o pós parto e a quarentena.

As mais velhas ensinavam as que seriam mães pela primeira vez sobre como estimular a produção do leite materno e a reequilibrar seu sistema hormonal.

Está em nós a oportunidade de nos tornar conscientes das áreas esquecidas de nossa psique, sangrando, crescendo, amadurecendo e envelhecendo plenas e felizes de sermos sempre o que realmente somos: MULHERES!!

Debora Rocco