terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Danças Circulares Sagradas


Em círculo ritualizamos as mudanças da lua no céu, o giro do sol durante o ano.
Em círculo dançamos, relembramos antigos mitos, trocamos mistérios da espiritualidade feminina.
A forma circular é a escolha porque conforma em mandalas os movimentos espiralados da natureza e suas trajetórias cíclicas.
Pense na gota d’água, na flor, na Terra, no zodíaco, na célula humana, na barriga de uma grávida, no movimentar dos corpos.
Pense também no tempo, descrito pelos ancestrais em círculos de pedras, antigos calendários circulares, nas celebrações da Roda do Ano, na imagem da Deusa tríplice. Um movimento perfeito, sem início ou fim, como a serpente que morde a própria cauda.
Dentro do círculo, encontramos os significados mais profundos ligados à psique. Ao detalhar as formas, enxergaremos a mescla de cruzes, triângulos, quadrados, estrelas. Verdadeiro caleidoscópio!
No centro do espelho multifacetado, um ponto central, representando a totalidade.
Os passos das danças circulares podem evoluir do básico ao mais elaborado. O enfoque da Dança Circular não é a técnica, e sim a experiência coletiva de criação, o sentimento de união, o espírito comunitário que se percebe a partir do movimento de cada um, possibilitando o movimento coletivo.
A força do Círculo é conhecida há milênios, e é um poderoso símbolo de unidade e totalidade. O trabalho em círculo quebra hierarquias e une os participantes em função do todo.
As Danças Circulares proporcionam a harmonização individual e o centramento através da prática em grupo.
Esse processo de transformação acontece em um ambiente de beleza e alegria, permitindo a união de culturas de diferentes partes do planeta, através de músicas étnicas, clássicas e new age.
A roda oferece às pessoas - independente de contatos anteriores com a dança - a oportunidade de caminharem juntas, de mãos dadas, seguindo um único ritmo, como parte de um processo de aprendizagem.
Dançar em círculo é aprender a olhar o outro de igual para igual.
Nessa teia secular, resgatamos o sagrado, redesenhando os ciclos da vida.
Mirella Faur 

Fiar e tecer, as artes mágicas femininas


"Podes devolver a vida? Então não te precipites a dar a morte e o juízo - pois nem o mais sábio dos sábios sabe o final de todos os caminhos..."


Fiar e tecer são antigas artes mágicas femininas e aparecem nos mitos de várias deusas como expressão dos Seus poderes proféticos, criativos e sustentadores dos ciclos lunares, das estações e da vida humana. Tendo o fuso como símbolo de poder, a Deusa como Fonte Criadora controlava e mantinha a ordem cósmica, os ciclos naturais e a continuidade do mundo. Fiar é um processo cíclico assim como também é a alternância das fases lunares, das estações, da vida e da morte, do início e do fim. Inúmeros mitos descrevem deusas tecendo com fios sutis o céu, o mar, as nuvens, o tempo, os elementos da natureza, os ciclos e os destinos dos seres humanos.
As Senhoras do Destino de várias tradições - conhecidas como as Parcas gregas, as Moiras romanas, as Nornes nórdicas ou as Rodjenice eslavas - tinham como símbolo mágico o fuso, a roda de fiar, os fios e a tessitura. Elas fiavam, mediam e cortavam o fio da vida, entoando canções que prediziam os destinos dos recém nascidos e apareciam como deusas tríplices ou tríades de deusas idosas, envoltas por mantos com capuz ou vestidas de branco, preto ou com idades diferenciadas pelas cores das suas roupas (branco, vermelho, preto). 
A confecção de roupas de algum tipo de material tecido fazia parte das atividades femininas desde a descoberta paleolítica de preparação de fios, torcendo pequenos filamentos de fibras naturais. Com este método eram preparadas cordas para amarrar, redes, armadilhas, roupas e cobertas. A descoberta do ato de fiar pode ser comparada em importância nas artes domésticas com a introdução da roda nas atividades agrícolas.
A mais antiga tessitura foi encontrada na estatueta neolítica de Lespugue, datada de 20.000 anos a.C. cuja figura feminina chamada de Vênus usa um “avental” de fios torcidos amarrados com uma tira na cintura. Os fios com as extremidades desfiadas indicam a sua origem vegetal ou animal, modelo semelhante à saia de uma jovem, cuja múmia da Idade de Bronze (14000 a.C.) foi encontrada em um tronco de madeira nos pântanos de Dinamarca e que está exposta atualmente no Museu Real de Copenhague.
Seus ossos desapareceram, mas seus cabelos, roupas e objetos de madeira foram preservados pela acidez do solo. A saia era do tipo envelope, com tiras trançadas e presas na cintura e terminando com uma fileira de nós amarrando conchas e pedrinhas, que tilintavam com o balanço dos quadris ao andar. Acredita-se que este tipo de saia - encontrada também em outros túmulos - não era para o uso comum, possivelmente tinha um significado místico e usada em ritos de passagem (menarca, casamento, gravidez). Resquícios deste tipo de avental e enfeites se encontram nos trajes folclóricos dos Bálcãs e nas saias com franjas das camponesas de Macedônia, cujos bordados têm formas de losangos, reconhecidos símbolos de fertilidade. 
Cintos decorados e usados com objetivos mágicos são citados na Ilíade (coletânea de poemas de Homero), como no mito de Hera, que pegou emprestado o cinto mágico de Afrodite (cujos bordados enfeitiçados despertavam desejo e amor) para seduzir Zeus. Cintos longos tecidos de lã vermelha e com franjas nas extremidades - chamados zostra - eram heranças preciosas das mulheres européias, que passavam de mãe para filha e eram usados nos partos difíceis, sendo colocados nos ventres das parturientes, assim como era feito com a reprodução do cinto mágico da deusa celta Brigid (chamado brat) que facilitava a concepção e o parto.
Temos, portanto, exemplos de roupas tecidas com fins mágicos de proteção e fertilidade desde tempos muito remotos, usadas pelas próprias deusas e que podiam ser “emprestadas” em ocasiões especiais. Na Grécia as deusas teciam e encorajavam as mulheres nessa arte mágica, como comprovam as lendas de mulheres sobrenaturais Circe e Calipso, os mitos da deusa Ártemis, Afrodite e principalmente Athena, exímia tecelã, que ensinou a tecelagem para Penélope e Helena e teceu as roupas de Pandora, após ela ter sido criada pelos deuses. 
A lã era o principal material usado na Grécia e no Norte europeu, enquanto no Egito as roupas eram feitas de linho e cânhamo, o linho tendo sido usado em Anatólia desde 7000 anos a.C. e destinado para roupas, toalhas e faixas para embalsamar múmias.
No Norte europeu a tecelagem era praticada desde a Idade de Bronze usando lã, cânhamo, linho ou outras fibras, resultando em tecidos de boa qualidade como comprovam os achados dos túmulos e sítios arqueológicos. Durante pelo menos 9000 anos as mulheres passaram os meses de invernos fiando e tecendo e seus tecidos serviam como moeda de troca no intercâmbio com outros países. Somente no século 12 o tear horizontal substituiu o fuso e a roda de fiar e confrarias masculinas foram aos poucos assumindo a tecelagem em grande escala. Porém, as mulheres continuaram a fiar e tecer nas suas casas, mantendo assim vivas as lendas e tradições da tecelagem como uma arte mágica feminina.
Um antigo método de tecer, usando pequenas tábuas furadas no meio e giradas com as mãos, era usado pelas videntes da Irlanda para prever o resultado das batalhas e os cataclismos naturais. O fuso era usado também como arma feminina nas disputas domésticas para se defenderem da violência masculina, além de ser o principal meio para ganhar o seu sustento. Além de roupas e lençóis, as mulheres teciam também tapeçarias para as paredes, com cenas míticas ou de guerra e que adornavam palácios e templos. Essas cenas tecidas pelas mulheres de várias épocas históricas e diversos lugares, não apenas divulgavam os mitos quando expostas em datas festivas, mas influenciaram a sua interpretação histórica posterior.
Na Escandinávia, Alemanha e os países bálticos permaneceram várias superstições e proibições ligadas ao ato de fiar, bem com certos dias dedicados às deusas, quando era proibido fiar, tecer ou costurar, talvez para proporcionar um merecido descanso após a labuta diária. As lendas das deusas Holda, Perchta, Holle, Latvia, Habetrot - que puniam as preguiçosas com seus fusos - na verdade serviam como incentivo para que o trabalho fosse bem feito e prometiam recompensas para aquelas que se esmeravam na sua arte. A deusa padroeira das fiandeiras existiu em várias tradições como a egípcia (Ísis), alemã (Holle, Perchta), basca (Mari), lituana (Laima), italiana (Befana), eslava (Baba Yaga, Mokosh), japonesa (Amaterassu), grega (Ártemis, Athena), nórdica (Frigga), báltica (Saule, Sunna, Rana Neida), além da Rainha das Fadas de França, Espanha, Irlanda, Inglaterra.
As figuras sobrenaturais - que persistiram nas tradições femininas até o século 20 - guardam certas características das antigas deusas da fertilidade, cujas bênçãos eram procuradas por moças e mulheres adultas e cuja ira se direcionava contra aqueles que as exploravam ou maltratavam. As histórias contadas nas longas e escuras noites de inverno preservaram o legado ancestral, que permanece nos contos de fadas e nas imagens das fadas benévolas ou vingativas. Em diversas bracteate de ouro do século 6 encontradas na Alemanha e usadas como amuletos, aparecem figuras femininas segurando objetos ligados ao fiar e tecer, reminiscências das deusas pré-cristãs. 
No tempo dos Vikings o predomínio das permanentes batalhas nas lendas associou as atividades de fiar e tecer com os presságios dos desfechos dos combates e dos sinais do destino. Em um poema norueguês do século 11 descreve-se uma cena dramática em que doze Valquírias tecem entranhas humanas sobre um tear feito de espadas e caveiras e cuja canção pressagia o fim funesto de uma batalha e a morte de muitos guerreiros. O poema talvez mesclasse as figuras das Nornes com as Valquírias, que também aparecem em outros mitos com a missão de prever ou determinar o resultado das batalhas e a escolha daqueles que iriam morrer. Ecos das deusas tecelãs existem no cristianismo, como são vistas nas cenas da Anunciação de vários afrescos, onde Maria aparece segurando um fuso e o fio passa iluminado acima da cabeça de Jesus, enfatizando a ligação entre o ato de fiar como símbolo do destino, da vida e do nascimento da criança divina.
O papel importante desempenhado pela tecelagem na vida das mulheres ao longo dos milênios e o processo pelo qual o fio é criado pelo giro do fuso e da roda, seguido do ato de tecer vários padrões em diversas cores, o tornaram um símbolo mítico efetivo na criação da ordem cósmica e na determinação dos destinos humanos. Tecer é um ato criativo e expansivo, fios, cordas, redes e tecidos foram usados como símbolos da criação do mundo e da vida humana. As mulheres antigas o associavam com o nascimento da criança para um futuro desconhecido, um elo evidente entre tecer e parir, o cordão umbilical sendo o elo que ligava a mãe ao filho e que devia ser cortado para que uma nova vida começasse, cujo fio também iria ser cortado pela tesoura das Senhoras do Destino no momento da morte. As esperanças e os medos atávicos das mulheres perante os mistérios da gravidez e do parto as fizeram apelar, honrar e reverenciar a Deusa como a Grande Tecelã da vida e da morte.
A herança folclórica da tecelagem foi ignorada e mal compreendida por muito tempo pelos historiadores homens, apesar de ser a mais valiosa arte feminina até o começo da revolução industrial no século 18, que levou a seu esquecimento no mundo moderno. Nos contos de fada o fuso é mais do que uma ferramenta, ele é o elo mágico entre o mundo sobrenatural e o humano; em várias lendas as moças pediam a ajuda das fadas madrinhas untando o fuso com seu sangue menstrual e depois “pulavam em um poço ou entravam em uma gruta”. Estes misteriosos atos são lembranças dos antigos rituais xamânicos em que se ofertava algo a Deusa e depois se buscava a conexão com um transe, que dava a sensação de cair no vazio ou penetrar no mundo das sombras.
As tecelãs atraiam criaturas sobrenaturais (fadas, elfos, goblins, anões) que as ajudavam obter prosperidade, por isso aquelas que sabiam tecer eram mais cobiçadas como parceiras pelos homens do que as bonitas, pois a sua arte iria garantir a sobrevivência nas épocas difíceis. Por ser o fuso um símbolo feminino e atribuído a várias deusas, criou-se a associação entre fiar, seres sobrenaturais e magia. Os teutões atribuíram às mulheres atributos mágicos devido ao uso dos feitiços e encantamentos tecidos com habilidade nas noites de lua cheia ou nova, enquanto os saxões chamavam suas mulheres de “tecelãs da paz”.
Fontes muito antigas descreviam a deusa anciã como Tecelã e Senhora do Destino, enquanto as Senhoras Brancas se deslocavam nas noites de lua cheia carregando fusos, predizendo a sorte ou dando mensagens às mulheres reunidas nos círculos de menires ou próximo aos locais de poder da terra. As camponesas européias deixavam meadas de lã ou linho nestes lugares junto com oferendas de pão e manteiga; na manhã seguinte o pão tinha desaparecido e os fios tinham sido tecidos. As mulheres da tribo nativa dos sami da Lapônia untavam suas rodas de fiar com sangue menstrual, pedindo as bênçãos da deusa Rana Neida para a produtividade do seu trabalho.
Vários monumentos megalíticos de Bretanha, Inglaterra, Portugal, Bretanha, Espanha, Irlanda, Malta são consideradas obras das Fadas Gigantes, que carregavam as pedras nas suas cabeças enquanto fiavam e cantavam. Muitos destes lugares têm nomes associados às fadas tecelãs ou ao fuso e roda de fiar. Na Irlanda conta-se que várias colinas e ilhas foram cridas pela anciã Cailleach, que levava pedras no seu avental e as espalhava a seu gosto pela terra. Essa ligação entre seres sobrenaturais, menires e locais de poder telúrico levou à sua “demonização” pela igreja cristã, que as denominou de “pedras do diabo”, onde as bruxas teciam suas maldições e feitiços malígnos.
A aranha é vista como uma intermediária entre o céu e a terra, no seu trabalho infinito de fiar, capturar, desfazer e renovar sua teia, por isso ela simboliza a alternância das forças que sustentam a estabilidade cósmica. Jung a considerou símbolo do Self, a parte da personalidade que inclui e integra o subconsciente e o consciente, o claro e o escuro, a luz e a sombra. Em vários mitos a deusa criadora aparece como aranha: A Mulher Aranha dos índios hopis e navajos, as deusas lunares da Indonésia, as guardiãs do tempo e do destino da Índia e a deusa da morte dos Mares do Sul.
Os círculos sagrados femininos – como a Teia de Thea – têm como objetivo principal a formação e sustentação de uma teia feminina de conexão e de reverência à sacralidade feminina, cujos fios estão sendo tecidos, fortalecidos e renovados permanentemente por todas aquelas mulheres que se dispõem celebrar, honrar e servir à Deusa sob Suas inúmeras faces e manifestações. Esse serviço deve ser feito sem qualquer apego aos resultados e frutos dos seus esforços, assim como também as antigas tecelãs cumpriam apenas a sua tarefa ancestral visando o bem estar das suas comunidades. 
Para servir precisa abrir o coração com a vontade de contribuir com a beleza, a plenitude e a alegria do trabalho bem feito, em benefício de outras irmãs e da Terra, oferecendo à Deusa a sua gratidão e o seu amor, sem esperar em troca reconhecimento, recompensas ou sucesso, com a certeza de ter cumprido a sua missão espiritual e evolutiva nesta encarnação.
"Tecendo a teia da vida e da morte
Moiras irmãs, que cirzam minha sorte
Urdam e tramem por minha ventura
Tragam-me a amada em sua tessitura.

Inda que seja breve a minha vida,
Mesmo sendo fugaz, seja garrida,
Por ter por privilégio a companhia
Da puella que ora canto em elegia.

Mas, se, reinando acima do divino,
Julgando impróprio dar-me tal destino,
Nem mesmo Zeus possa atender meu rogo,

Clotho, fiandeira, tece uma fogueira
Sorteia-me, Láquesis, medianeira
Átropos, joga o meu destino ao fogo!" - Oldney Lopes

por Mirella Faur

Bastet e os mistérios felinos


O gato hoje em dia é um animal totalmente inserido no nosso cotidiano. Pode-se dizer que de todos os animais domesticados pelo ser humano, os gatos estão entre aqueles que decisivamente mais nos encantam. Ao lado do cão, o nosso “fiel companheiro”, os gatos têm aparecido cada vez mais no convívio social. Mas, o que de fato, fascinava tão intensamente os antigos egípcios neste animal tão gracioso?
Por um lado,  estimados e por outro, temível, diferentes culturas conceberam no gato uma miríade de teorias e mitos. Na história da mitologia egípcia, africana, oriental, na antiga Europa, o gato sempre foi considerado como representação simbólica de aspectos da divindade, por vezes, solar e lunar. Porém, foi na concepção medievalista da cristandade que o gato adquiriu, contudo, seu aspecto “malévolo”, associando-o rapidamente ao “diabo”. Por isto, nesta mácula e estigma criada pela teologia cristã, que o gato até hoje é visto por alguns como mau augúrio e em casos… maléfico.

História de Bastet

Assim, muitos milênios antes da era cristã, nas margens do Rio Nilo, surgia uma divindade radiante e opulenta: Bastet, a “divindade” gata. Bast, Baast ou Bastet era o nome dado ao símbolo feminino onde sacerdotisas e sacerdotes dedicavam todas as manhãs oferendas de sândalo e óleos perfumados em seus templos espalhados por Khemet (Egito), a Terra Negra – a Senhora dos Ungüentos. Identificada com a estrela Sírius, o Sol por detrás do Sol, ela também representava a harmonia cósmica, criando uma ponte de comunicação entre o micro e o macrocosmo.
Surgida nos primeiros relatos em hieróglifos na segunda dinastia (2890-2686 a.c.), sabe-se que sua origem é muito mais remota. Por um lado, Bastet também poderia ser representada como perspectiva ou qualidade de Sekhmet, sua contraparte felina mais feroz e violenta. Alguns historiadores poderão afirmar que cada divindade poderia ser considerada como dois lados da mesma moeda. Independente, Bastet possuía seu próprio culto e na antiga cidade de Bubastis (atual Zagazig, no Delta do Nilo), manifestava-se toda a sorte de peregrinos, rituais e seus “filhos” e “filhas”: foram encontradas milhares de múmias de gatos que foram enterrados no antigo templo, em sua honra.

Lendas & Histórias

Há muitas lendas sobre a adoração dos egípcios sobre Bastet, sendo uma delas que conta que frente aos persas, em batalha, o inimigo portava entre seus escudos gatos vivos (!), os soldados egípcios, por vezes, eram incapazes de avançar, pois como contam os historiadores, os egípcios preferiam se render do que castigar qualquer gato. Outra história interessante relata o caso de um soldado romano, durante a dominação no território egípcio, que ao ver um gato perdido na rua, o matou. O povo inquietou-se com tal ato que rogou aos seus opressores, que pelo menos, castigassem àquele que havia feito mal ao gato – e, assim foi feito.

Ritos de Bastet

Sua imagem antropomorfa era moldada na figura de uma cabeça felina com corpo de mulher, ou simplesmente, uma gata. Bastet simbolizava os raios e emanações solares, que irradiava de felicidade e alegria o mundo. Leal protetora dos lares e dos afazeres cotidianos, ela também tinha o dom de ser a guardiã de todas as mulheres, principalmente as grávidas, crianças, mães, cujo poder precipitava-se sobre o caos ou os maus fluidos.
Ao portar um leve sistro (pequeno instrumento musical percussivo semelhante a um chocalho de metal), ela conduzia um séquito de dançarinas e músicos que animavam os rituais com muita música e alegria. Nas Casas da Vida (Per-Ankh), Bastet era patrona suprema da felicidade e abundância, por isto, diversas casas e templos eram chamados de Per-Bastet ou “Casa de Bastet”.
Invocada em rituais específicos onde apenas mulheres poderiam estar presentes, Bastet estava presente nos ritos de fertilidade. Para os dias de hoje, a sua simbologia permanece viva nas tradições neopagãs ou do reconstrucionismo khemita.
Por Pablo Al Masrii

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Carnaval: Uma festa pagã



"Os povos antigos faziam rituais mágico religiosos para controlar certos fatores que poderiam representar reveses em suas vidas. O tempo passou, os desvios foram se sucedendo e hoje em dia esses rituais aparecem, bem deturpados, em várias festividades cristãs." - Elsie Dubugras

O Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos séculos 600 a 520 antes da era comum. Através dessa festa, os gregos realizavam realizavam seus cultos em agradecimento aos Deuses pela fertilidade do solo e pela produção.

Nessa época, celebravam-se as Saturnálias , festas em homenagem ao Deus do Tempo, Saturno. Elas aconteciam nos meses de novembro e dezembro, e todos os segmentos da sociedade participavam. Dos membros da nobreza aos escravos, todos se misturavam nas ruas para as comemorações, que incluíam muita comida, bebida, música e dança, nada muito diferente do que ocorre hoje.

Nos primeiros séculos a Igreja Católica não tinha expressão dentro do mundo greco-romano. Somente no século IV, o imperador Constantino publica o Edito de Milão (313 depois da era comum), que torna o catolicismo a religião oficial do Império e proíbe a perseguição de cristãos. A partir do século IV, a Igreja cria uma estrutura mais forte e elabora um cronograma oficial para as festas litúrgicas – Natal, Quaresma e Páscoa – dentro do calendário Juliano.

Como a Igreja pautava-se nos padrões éticos e morais, não permitia uma série de excessos na Quaresma, como a realização de Bacanais e Saturnálias. Então, as pessoas passaram a aproveitar o último dia antes do início da Quaresma para fazerem tudo a que “tinham direito”. O Carnaval é realizado justamente neste período e remonta às características das festas pagãs.

Assim essas festividades pagãs foram movidas para antes do início desse período - a mesma data atual - e ganharam o nome de “carnem levare”, que em latim significa "adeus à carne", ou seja, uma despedida dos chamados prazeres carnais, dos tais excessos que caracterizavam as Saturnálias e eram, como ainda são, reprovadas pela Igreja.

É importante ressaltar que antes das Saturnálias (Romanas), no Egito, no período da estação do outono, realizava-se a festa do boi Apis (animal sagrado). Escolhia-se o boi mais belo e todo branco, o qual era pintado com várias cores, hieróglifos e sinais cabalísticos (branco = pureza, então, pintar o boi significa torná-lo impuro). O boi era conduzido pelas ruas e levado até o rio Nilo, onde era afogado. Em procissão, sacerdotes, magistrados, homens, mulheres e crianças, fantasiados grotescamente, iam atrás dele (o boi) dançando, cantando em promiscuidade até seu afogamento.

Frise-se que na mitologia Grega, Júpiter se fez passar por um boi, seduziu a princesa Europa e a conduziu para o mar até uma praia deserta onde a possuiu. É fato que esses relatos estão entrelaçados, pois o inimigo sempre atuou no mundo de forma discreta e às vezes até imperceptível para levar as almas à perdição.

No entanto, a Saturnália iniciava-se com César e eram protegidas por Baco, o deus do vinho (daí o termo Bacanal). Nos dias de folia, tudo se invertia e ao participar dessa inversão, as pessoas representavam papéis, e fingiam ser o que não eram. Tanto que o rei da festa, o Rei Momo, era um escravo (da classe mais baixa de Roma) e podia ordenar o que quisesse durante as festividades. Durante seu reinado, era praticado, sobre o seu comando, todo tipo de orgia, bebedeira e lasciva. No término das festividades, ou seja, no final do quarto dia, o rei Momo era sacrificado de forma brutal no altar de Saturno. Mas quem afinal é a entidade Momo?

Momo era o Deus da irreverência, segundo os léxicos, é sinônimo de desrespeito, profanação, sacrilégio, ofensa, desconsideração, desculto, desveneração e relaxo.

A própria Mitologia Grega relata que, por ser irreverente e profanador, Momo teria sido expulso do Olimpo (local onde os gregos acreditavam morar os Deuses da sua mitologia). Mas porque afirmar que essa entidade era cultuada em Roma se a sua origem é Grega? Momo é uma das formas de Dionísio, o deus Baco, patrono do vinho e do seu cultivo (para os Romanos), daí também se origina o termo Bacanal que significa festas orgísticas.

Frise-se que Saturno (Deus cultuado nas Saturnálias) também é conhecido como o Deus Sol e isso nos retrocede bem antes da época dos reinados Romano, Grego e Egípcio.

Marisa Petcov

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Rituais de Ano Novo




Sempre é bom nos prepararmos positivamente para recebermos o Novo Ano, deixando pra trás o passado, mas aprendendo com as experiências vividas.

Devemos ainda, nesse próximo ano, praticar o bem e aprendermos a dar o melhor de nós mesmos aos outros para tornar nosso planeta um lar, um mundo melhor, onde reine a paz e o amor solidário.

Um Ano Novo sempre desperta nossos desejos por dias melhores, e as tradições mantêm vivas nossas esperanças. Os rituais descritos abaixo, são propícios para você entrar o Novo Ano carregado de boas energias e impregnar-se de muito otimismo, amor e boa sorte. Escolha o que mais goste ou te sintas mais conectado e se dê a oportunidade de ter um ano "melhor".

E... na hora das 12 badaladas não deixe de dizer mentalmente ou em voz alta:

-"Este ano eu vou ser feliz!", e não duvides de tuas palavras, pois a fé "remove montanhas".

Feliz Ano Novo para você e muita paz e amor para todos nós!!!!

FIM DO ANO COM FADAS

Esse ritual deve ser compartilhado com seus amigos e familiares na noite de fim de ano.

Arrume sua mesa para servir a ceia do modo que mais lhe agradar. No centro dela coloque a imagem de uma Fada. Esta fada representará a protetora de seu lar e de sua família durante todo o ano que se inicia.

Coloque seis velas douradas à sua direita e seis à sua esquerda, doze no total, representando os doze meses do ano. Em cada vela ate uma fita da cor dourada. Você precisará também de doze pedras de quartzo, 12 cordões dourados e um saquinho ou uma bolsinha vermelha para depositá-los.

Momentos antes da entrada do ano:

1. Acenda as velas

2. Coloque os cordões em torno da fada.

3. Coloque as pedras de quartzo em torno dela.

No momento exato da passagem do ano e dos brindes, uma imensa força nascerá do amor e da felicidade de todas as pessoas que se encontram presentes. Essa energia será a fonte mágica, que fará que tanto a fada, as pedras, como os cordões dourados se carreguem de uma imensa força, fazendo deles um poderoso talismã protetor.

Coloque tudo depois dentro do saquinho. Todos os meses você deve retirar dele, um cordão e uma pedra. O cordão deve ser colocado em torno da fada e a pedra deve ser primeiro colocada à altura de nosso coração e depois colocada também junto à fada. No mês seguinte, enterre o cordão do mês anterior e deixe a pedra em qualquer jardim ou ao pé de uma frondosa árvore.

Feliz Ano Novo para você com as bênçãos das Fadas!

RITUAIS DOS ELEMENTOS PARA O ANO NOVO

1. RITUAL DA TERRA

Primeiro deves recolher de um parque ou jardim uma quantidade suficiente de terra para encher um alguidar, de meio quilo aproximadamente.

Esse ritual deve ser realizado ao amanhecer ou na primeira hora do último dia do ano ou do primeiro do seguinte.

Os ingredientes necessários são: Terra, sementes de uma planta que gostes, um alguidar, ou um vaso de barro, uma vela verde, uma vela marrom e uma música suave que te faça lembrar da primavera. Pode ser a Primavera de Vivaldi ou qualquer outra que te faça evocá-la.

No dia eleito para realizar o ritual, escreva em um papel branco uma lista de coisas que desejas conseguir no próximo ano. Agora sente em frente ao alguidar e as velas, tentando relaxar o máximo possível. Acenda primeiro a vela marrom, pensando nas coisas que queres que morram (nunca pense em causar dano à ninguém!) e depois a verde, pensando nas coisas que desejas que nasça ou cresçam. Coloque o papel com seus pedidos no fundo do alguidar e cobra-o com terra. Tudo que tens que fazer agora é pensar nas coisas novas que estão para chegar à tua vida e nas que não tens mais interesse, que queres que se vão. Quando terminares de colocar a terra, pegue as sementes e enterre-as, pensando no que estás semeando e o que brotará nos meses que estão para chegar. Quando terminares esse procedimento, dê graças aos elementos por estarem ao teu lado e peça força para o ano que se inicia. Deixe as velas arderem até se consumirem. Os restos desse ritual. enterre na terra do alguidar.
. 

2. RITUAL DA ÁGUA

Esse ritual deve ser realizado por todo aquele que possua um rio, um lago ou mar por perto. É feito como o anterior, no dia do Ano Velho ou no Ano Novo, porém a hora não é ao amanhecer, mas sim ao pôr-do-sol. Recolha água do local que você escolheu e leve até tua casa para fazer o ritual. Se puderes recolha, próximo à água, pedras escuras e outras claras (de preferência brancas). Vais necessitar também de uma tigela ou recipiente de cristal ou vidro transparente, uma vela azul, uma vela branca, música suave com sons do mar, da água ou das ondas.

No dia que vais realizar o ritual, antes que o sol se ponha, escolha um lugar tranqüilo para realizá-lo e sente-se. Acenda primeiro a vela azul, pensando em tudo que não desejas mais ter em tua vida e que queres que vá embora. Depois acenda a vela branca pensando em tudo de novo que desejas que chegue para ti. Depois coloque a água no recipiente de cristal, até a metade aproximadamente e escreva em um papel tudo que desejas que a água "dissolva", colocando em seguida o papel dentro da água. Por cima coloque as pedras escuras. Em seguida, escreva em outro papel tudo que queres que seja "alimentado" pela água no próximo ano, ou que queiras que nasça ou cresça. Coloque o papel na água e cubra com as pedras branca. Para finalizar dê graças aos elementos por estarem ao teu lado e deixe que as velas se consumam. Tudo que sobrar deste ritual deve ser colocado no local de onde vieram, ou seja na água (rio, lago ou mar).

3. RITUAL DO AR

Se moras em uma fazenda onde o vento é forte, este é o ritual que deves realizar. Este ritual deve ser realizado ao meio-dia do último dia do ano, ou ao meio-dia do primeiro dia do ano. Escolha um lugar solitário onde possas ficar tranqüilo para realizá-lo. Para esse dia, vista uma túnica larga e solta que te dê a sensação de poder voar durante o ritual.

Escreva m um papel tudo que desejas que o vento "arraste" ou leve embora nesse fim de ano, e outro com que queres que o vento te "traga" para o próximo ano.

Quando chegares ao local escolhido, de pé, inspire e expire profundamente, sentindo o vento percorrer teu corpo e deixando que passe através de ti. Depois trace um círculo imaginário ao teu redor e senta no meio do mesmo. Olhe para os quatro pontos cardeais e dê graças aos elementos, pedindo que permaneçam ao teu lado. Agora pegue na mão o papel das coisas que deseja que o vento leve e corte-os em pedacinhos, deixando-os que voem ao sabor do vento. Faço o mesmo com os pedidos das coisas novas, semeando teus desejos aos ventos. Quando terminar, dê graças ao ventos e aos elementos que permaneceram ao teu lado. Depois mentalmente desfaça o círculo imaginário que criou e volte para casa.

4. RITUAL DO FOGO

Se te identificas com este elemento, ou seja o elemento regente de teu signo, este é o teu ritual. Escolha um local em sua casa ou no exterior onde não haja perigo de incêndio. Deves realizá-lo no meio da tarde, quando o sol estiver bem forte. Prepare um recipiente de metal ou de barro onde possas colocar azeite. Os materiais necessários serão: azeite de oliva, uma vela amarela e outra vermelha, e um recipiente de metal (pode ser um caldeirão ou panela) um pavio ou mecha de pano. Colo que as velas uma de cada lado.

Olhe para o sol e dê graças ao elemento fogo que contêm por estar ao teu lado. Acenda primeiro a vela vermelha, pensando nas coisas que desejas que o fogo "devore" com o ano velho, e depois acenda a vela amarela pensando nas coisas que queres que dê vida o fogo do ano novo. Em seguida escreva num papel o que queres que se vá, e em outro, o que desejas que chegue com o novo ano que se inicia. Dobre o primeiro papel e queima-o no fogo central, na mecha ou pavio, que acenderás nesse momento com a vela vermelha. Enquanto queima, pense no que queres limpar de tua vida. Quando já tiver queimado, apague a mecha que arde no azeite. Procure não soprá-la, mas apagá-la com os dedos úmidos. Agora acenda-a de novo com a vela amarela. Queime com ela o papel onde escrevestes o que deseja que nasça no ano novo ou que queiras que o fogo fortaleça. Quando tiver terminado, deixe que as velas se consumam e dê graças ao elemento por estar ao seu lado. Deixe que o azeite se consuma até o final. Todos os restos deste ritual, incluindo o azeite deve ser enterrado.

BOA SAÚDE O ANO INTEIRO

Tomamos três rosas brancas, de brancura indiscutível, e as colocamos em um vaso branco ou de vidro transparente - que nunca tenha sido usado antes.

Juntamos dentro dele seis moedas e uma cebolinha. Colocamos água e deixamos ficar assim durante sete dias.

Depois dos sete dias, trocamos a água, tiramos a cebolinha e também trocamos as rosas. Só deixamos ficar as moedas.

Essa prática deve ser feita de sete em sete dias, de preferência nas sextas-feiras, o ano todo. Quem assim agir terá paz, dinheiro, saúde e harmonia em seu lar.

ANO NOVO FELIZ

Para ter um Ano Novo Feliz, coloque algumas jóias em uma vasilha e junte três flores de pétalas, de qualquer cor, com um pouco de água, deixando 24 horas. A última hora deve coincidir com a primeira hora do Ano Novo. Retire, então, as jóias, enxugue-as bem e use a água e as pétalas jogando-as nos cantos de sua residência. Será o melhor Ano Novo de sua vida.

Feliz Ano Novo!